Teto Invisível - A crença de que nunca somos suficientes para onde queremos chegar


Todos nós carregamos sonhos, metas e objetivos. Aquele lugar exato que almejamos chegar e experienciar.
Trabalhamos, nos esforçamos, estudamos e nos aprimoramos para transformar esses desejos em realidade. No entanto, quando estamos a poucos passos da realização parece que algo impede o próximo passo. Uma força oculta bloqueia a próxima ação.
É uma sensação angustiante: conseguir avistar, logo ali na frente, o tão sonhado destino, mas colidir com um teto de vidro invisível que nos impede de avançar.
É quando ecoa aquela voz familiar na mente, sussurrando que não somos bons o suficiente ou merecedores de habitar o lugar que tanto sonhamos. Essa voz é o nosso crítico interno agindo, desmerecendo os nossos esforços e desenhando os nossos limites.
Durante a minha vida, em algumas situações, eu me deparei exatamente com essa barreira. Conheço bem o gosto amargo de estar a um palmo da conquista e não conseguir dar o primeiro passo definitivo.
Essas limitações inconscientes brotam como reflexo de experiências vividas na infância, de um fantasma de um relacionamento que não deu certo e deixou marcas profundas, ou até mesmo dessa mania contemporânea de nos compararmos com as vidas perfeitas - dignas de comercial de margarina - que consumimos nas postagens do Instagram.
A primeira reflexão que trago, lapidada por meio da minha própria vivência e de muito estudo é libertadora: o problema não está na sua essência. Essa barreira não pertence a você; ela foi colocada em você de forma totalmente inconsciente.
Essa limitação é, na verdade, um mecanismo do seu próprio ego, tentando proteger você do sofrimento e da rejeição a qualquer custo.
Como resposta a essa voz interna tendemos a procrastinar. Concluímos de forma precipitada que o que almejamos é grande demais para nossa capacidade, desanimamos e acabamos, muitas vezes, desistindo ou postergando o próximo passo para o amanhã.
Por meio da nossa criação e das experiências vividas, construímos convicções internas que determinam nossa personalidade e direcionam nossa forma de pensar, mas que estão longe de refletir quem realmente somos e a nossa real capacidade. Essas convicções constituem nossa identidade herdada. É essa identidade artificial que constrói o nosso ego e alimenta o nosso crítico interior.
Nascemos com uma essência pura, livre e individual, que vai sendo moldada pelas nossas experiências existenciais - englobando perdas, abandonos, traições e decepções. Se essas marcas não forem bem assimiladas na infância, transformam-se em feridas na vida adulta. Elas acionam gatilhos, direcionam nossas escolhas e impõem limitações e barreiras sem que tenhamos consciência disso.
O ponto de virada, sob a minha perspectiva e vivência, exige, primeiramente, tomarmos consciência da origem dessa limitação. Isso significa refletir sobre as experiências pelas quais passamos, relacionando de forma lúcida qual das bagagens que trazemos internamente está gerando esse bloqueio.
Em segundo lugar, e tão importante quanto, é aprendermos a identificar o gatilho que desperta esse sentimento e o padrão que tendemos a repetir frente a ele. É preciso lembrar que gatilhos geram sentimentos, que geram pensamentos, que resultam em ações.
Nem sempre é fácil mudar um padrão. Muitas vezes, apenas a compreensão racional dos fatos não basta para uma mudança real, sendo necessário o apoio psicoterapêutico ou terapias diversas.
Entretanto, entender como o nosso mecanismo interno funciona é de grande valia para a virada de chave e de postura frente ao teto invisível que teima em nos bloquear.
Diante disso, precisamos perceber que não adianta tentar ultrapassar essa barreira pela força bruta. O segredo é dissolvê-la por meio da nossa consciência e compreensão, acompanhadas da legítima vontade de evoluir.
É preciso expandir quem somos e resgatar a nossa real essência, que é o oposto exato do nosso ego ou de quem achamos que somos. Somente dessa forma, através da nossa própria expansão interna, nos tornamos capazes de estraçalhar essa barreira invisível.
O caminho exige focar na nossa melhora, manter a vida em movimento e nos acolhermos com genuinidade e com real afeto, compreendendo que somos muito mais do que achamos que somos e que nosso ego não deve deter o domínio na nossa existência.
Quando entendemos quem realmente somos, quando não deixamos que a régua do outro defina o nosso valor, quando adquirimos a capacidade de autoacolhimento genuíno e deciframos nossos gatilhos e crenças, o jogo vira. E o caminho, finalmente, se abre a nosso favor.



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